
(Eu não sabia o que era amor... fiz essa descoberta naquela hora.)
O casal estava internado no mesmo hospital, ambos em enfermarias diferente, ela na ala feminina, ele na ala masculina, era incrível a ligação deles, não era preciso dizer ( e ninguém dizia) que um piorava, e o outro ja ficava pior... não descobriamos como evitar.
A vida inteira ele cuidara dela, agora, fatalmente, por vontade do destino, ele também estava lá, apenas duas semanas ( duas fatídicas e dolorosas semanas...), ele então, se perguntava, todos os dias, acredito eu, quem cuidara dela?? Todos se revezavam na tentativa de cuidar dos dois, sendo familia humilde em um cidade pequena, dentro de um hospital com situações precárias, era preciso atenção o tempo todo, cuidados como os de uma enfermeira por exemplo.
O estado dele era grave, então logo a familia se reuniu, mas ele era forte, rosnava e mandava olharem sua esposa...
Dizia:"- Fulano, o que ta fazendo aqui? vai la ver como ela esta!!"
A vida dele era ela! Nunca vi nada igual.
Naquele dia, o dia em que ele melhoro bastante, bastante demais para um dia normal até. Ele quis ir ver ela. Ele foi levado... de cadeira de rodas, com soro, fraco, debilitado, mas determinado!
O leito onde ele ficava era contra a parede, não se via nada além das paredes em volta da cama, e da cortininha aos pés. Ela tivera sorte, por assim dizer, ficara num leito na janela. Chegando la, a primeira emoção, a luz, nunca vi alguém dar tanto valor aquela luz, ele se emocionou tanto só de ver a janela, chorou ao pensar na prisão em que estava, na luz do sol que não via a dias.
Os dois se olharam(...) ela não podia fazer esforço ligada a parede por oxigênio, ele, não conseguiria se levantar daquela cadeira. Ele disse que achava que estava mal, que nunca ficou assim antes, que tinha medo de não conseguir. Tudo dito em palavras baixas entrecortadas. Ela tentou lhe animar, disse-lhe que os dois iriam sair dali, que tudo daria certo.
Foi então que percebi, que ninguém mais estava ali, só existia os dois, um amor sem igual, nunca na vida eu vira amor como aquele. Descobri naquele momento que não sabia o que era amor.
Ele se puxou pela cama, num ato desesperado de arrastar a cadeira e agarrar a mão dela, e ela, tentava exaustivamente se erguer, lutando contra as possibilidade. Ambos tentando apenas se tocar. Ela disse:"-Ficaremos mais 34 anos juntos". E ele chorou...
Ninguém podia fazer nada! Infelizmente.
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Se ha um meio de salvar aquele que amamos, certamente o fazemos, o problema, é quando não ha o que fazer, e quando não nos conformamos com isso.
A vida dele era ela, sei que ele sofreu muito na vida para cuidar dela, sei que se ela tivesse ido ao céu antes dele, ele não aguentaria, mas será que foi justo? Só Deus sabe!
Eu só sei que Amor como aquele eu nunca vi em minha vida!
Aquele homem, amava aquela mulher, amava aquela vida, de uma maneira que a maioria das pessoas não da valor. Ele podia não ter quase nada, mas não se pode dizer que ele não foi feliz, que a maioria das pessoas nem sonha em ser!
> Este texto é baseado em história real, uma maneira de nunca esquecer o grande homem que foi meu tio Neco!